Rubens Shirassu Júnior • Articulistas

11 de Setembro de 2017

Cidade sem rosto 2

Ao centenário de Presidente Prudente

 

 

A noite, aos poucos, fecha a sua mão de mortalha densa

ao redor, e tudo é poroso através dos portões clássicos,

da familiaridade de séculos de suas frestas, dos pilares,

a mescla das arquiteturas grega, europeia e suas janelas ovais.

 

No centro das praças circulares das catedrais

de São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida

hei-nos menos contemplados e mais inquiridos

por policiais, moradores de rua, aposentados,

transeuntes curiosos e pederastas.

Posturas ausentes de sentido

nossa condição social não seduz.

A pergunta geral,

o excessivo mercado consumidor contracenando com um esqueleto

que lamenta a alta da carne.

Querem desfrutar de nós

uma existência não basta para tanto:

Irradiamos a falta de perspectiva,

assim o futuro é branco.

No centro de uma arena?

Das Câmaras Municipal e Federal, e do Senado?

Que valem mais ou menos,

no deserto nos vemos

imantados pelo aço do silêncio,

do medo em nós cravado.

O mesmo pânico amarelo dos retratos

que engasga os vermes que roem as páginas

das vidas passadas que brotam daqueles postais empoeirados.

 

  

Rubens Shirassu Júnior

 

 

www.rubensshirassujr.blogspot.com.br

 

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