Painel Rural • Gerais

20 de Outubro de 2017

Brasil pode produzir a melhor carne do mundo

 

 

Há 20 anos não se falava em programas de qualidade de carne bovina e tampouco havia melhores remunerações por qualidade de carcaça aos pecuaristas. Hoje, vivemos uma nova pecuária, na qual a cadeia produtiva está preparada para o abate de animais muito jovens, em torno de 16 meses de idade, com 20@ de peso bem distribuído e carne com boa presença de marmoreio.

E muito desse sucesso passa pela raça Angus. De origem britânica, mas radicada na pecuária brasileira por muitas décadas, é reconhecida internacionalmente pela sua qualidade de carcaça e precocidade de terminação, bem como a incrível maciez, sabor e suculência dos cortes produzidos. A carne Angus tem sinônimo de qualidade.

Ponto para o Programa Carne Angus Certificada, que alinhou fortes parcerias com os principais frigoríficos do País e ainda garantiu a possibilidade de os pecuaristas receberem bonificações acima de 12% da cotação convencional da arroba do boi gordo. E tal consolidação levou a uma corrida frenética por genética Angus.

Além disso, um “café grátis” está surgindo na pecuária nacional. Países como a Turquia compraram mais de 80 mil bezerros, recentemente, de algumas fazendas brasileiras e todos nascidos do cruzamento entre as raças Angus e Nelore, o casamento perfeito para a produção de carne de qualidade. Este modelo de exportação de desmama cruza Angus tende a crescer muito no País.

Os preços do gado Angus dispararam. O quilo vivo de um bezerro desmamado F1 (meio-sangue Angus x Nelore) já corteja os R$ 6,50, muito superior ao de qualquer outro bovino puro ou cruzado. Na década de 1990, a esmagadora maioria dos produtores desconhecia sobre o melhor uso de uma novilha F1. Atualmente, seu aproveitamento é otimizado.

Pode ser encaminhada à reprodução, como matriz, ou ao abate, proporcionando uma carne rica em gordura Ômega 3 – fato comprovado cientificamente. Estima-se que existam cerca de 3 milhões de cabeças no rebanho nacional. Angus é propaganda no sanduíche, na churrascaria, nos restaurantes e na gôndola dos supermercados.

E o pecuarista brasileiro já descobriu este diferencial. A própria Associação Brasileira de Angus regularizou junto ao Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento o serviço de Registro Genealógico de uma nova raça bovina chamada Ultrablack.

Formado por meio do cruzamento entre Angus e Brangus 3/8 (ou vice versa), o Ultrablack é uma resposta ao crescente interesse dos produtores em atender os programas de cruzamento industrial que vão utilizar essas fêmeas F1 Angus para produção de animais com 65% de sangue Angus. Os bezerros nascidos serão encaminhados ao confinamento logo após a desmama e vão produzir carcaças ultraprecoces.

Com alto índice de marmoreio e maciez, a carne produzida vai ser capaz de competir com os cortes mais sofisticados do mundo em pé de igualdade. Está aí a fórmula que Brasil buscava para produzir uma carne Prime reconhecida mundialmente, assim como acontece com a dos Estados Unidos. É a ferramenta perfeita para conquistar o paladar dos mais exigentes importadores do planeta.

*Valdomiro Poliselli Jr. é presidente da VPJ Alimentos e promotor do 20º Leilão Angus VPJ, que ocorre no dia 28 de outubro, às 14h, na Red Eventos, em Jaguariúna (SP), com transmissão pelo Canal do Boi.

 

Willy Macedo
Cultura Inglesa