Sinomar Calmona     • Presidente Prudente / SP     • Jornal O Imparcial     • Contato
 
 
Galeria de Fotos TV Sinomar Links Calendário Cadastre-se
 
 

Nutrição & Atividade Física • Articulistas

16 de Janeiro de 2018 -
Restrição calórica pode modular sua saúde
Por: Jair Rodrigues Garcia Júnior

E se, aos 50 anos ou um pouco mais, você possuísse adaptações metabólicas e moleculares que fizessem suas células funcionarem como as de um jovem adulto na casa dos 30 anos? Independentemente da idade cronológica, eventuais marcas faciais, cabelos grisalhos etc, você estaria vivendo um “prolongamento da juventude”. Estaria também menos suscetível aos fatores de risco para doenças cardiovasculares e às outras doenças crônicas (Figura). Estaria também apto a estender sua longevidade.

E qual pode ser essa “fonte da juventude”? Estudos realizados desde a década de 1910, que se ampliaram e se aperfeiçoaram em seus desenhos e métodos de análise estão consolidando as vantagens para saúde de dietas com restrição calórica, porém sem falta de nutrientes essenciais.

No mundo, em todas as épocas, há numerosos episódios de restrição calórica involuntária em razão de guerras, pobreza etc. Durante a 1ª Guerra Mundial (1917) a população da Dinamarca (aproximadamente 2,5 milhões de habitantes) foi submetida à restrição calóricas por 2 anos. Porém, houve planejamento para o consumo adequado de leite, vegetais e cereais integrais. Resultado: diminuição de 34% na taxa de mortalidade nos anos subsequentes.

Situação semelhante se repetiu durante a 2ª Guerra Mundial (1941) com os habitantes de Oslo na Noruega que, involuntariamente, foram submetidos, ao longo de 4 anos, a uma restrição calórica de –20% de suas necessidades. Também de forma semelhante, houve cuidados para o consumo adequado de vegetais frescos, batatas, peixes e cereais integrais. Resultado: diminuição de 30% na taxa de mortalidade nos anos subsequentes.

Mais recentemente, uma situação de restrição calórica voluntária de uma população foi estudada em Okinawa no Japão. Lá, os adultos realizam restrição calórica de –17% de suas necessidades, em comparação aos demais adultos japoneses. A dieta dessa população específica é baseada em vegetais frescos, frutas, batata doce, soja e peixe. Um detalhe adicional é a restrição também de proteínas em 9% das calorias consumidas (normalmente esse valor varia de 15 a 20%). Resultado: menor taxa de mortalidade e maior longevidade. A prevalência de pessoas com 100 anos ou mais é de 50/100.000 habitantes. Para comparação, em outros países desenvolvidos a prevalência de centenários é 5 vezes menor, de 10/100.000 habitantes.

Restrição calórica não é nenhuma novidade para 100% das pessoas que já seguiram uma dieta especial para perda do excesso de gordura (ou peso corporal). Ocorre que, nos casos acima e nos estudos controlados mais recentes com animais, macacos e humanos, a restrição calórica é realizada por pessoas com “peso corporal adequado”, ou seja, pessoas magras para os padrões de saúde e que não teriam indicação de médico ou nutricionista para diminuir o consumo alimentar.

A restrição calórica pode ser classificada como leve (até –15% da necessidade), moderada (–16 a –30%) ou severa (–31% ou mais). Todas são utilizadas para perda de peso corporal, porém falamos aqui da restrição calórica para fins de adaptações horméticas moleculares, metabólicas e fisiológicas que proporcionem menor incidência de doenças e maior longevidade.

A restrição calórica pode ser obtida (1) apenas com a diminuição do consumo alimentar, (2) com o aumento do gasto energético (exercício físico) ou (3) combinação de ambos. A maioria dos estudos já realizados utiliza o modelo (1), porém o estimulo dos músculos por meio do exercício físico evita perda de massa muscular e proporciona vários outros benefícios para saúde.

 
 

Em estudos com animais, os benefícios para saúde têm se mostrado diretamente proporcionais ao grau de restrição para evitar várias doenças (Figura) e aumentar a longevidade em até 50%. Há estudos controlados em humanos e também estudos de acompanhamento de pessoas que fazem voluntariamente a restrição calórica, em média de –30%, já há 15 anos. Em ambos os casos são observados benefícios quanto aos fatores de risco para doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas [1].

            A ressalva importante é que a “restrição pode ser apenas de calorias”. Todos os nutrientes essenciais para saúde devem estar presentes na dieta para que não haja desnutrição. Por isso, consulte um médico ou nutricionista especialista para adequar sua dieta e se impor, gradativamente, a restrição calórica.

 

[1] Most J et al. Calorie restriction in humans: an update. Ageing Research Reviews. 2017;39:36-45. http://dx.doi.org/10.1016/j.arr.2016.08.005

 

7 janeiro 2018

 

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Doutor em Fisiologia Humana pela USP

Professor do Curso de Educação Física da UNOESTE

e-mail: jgjunior44@hotmamil.com

Instagram: @exercicionutri

Facebook: Facebook.com/jgjunior44

Twitter: @exercicionutri

 

 

26/05/2018
E a melhor de todas as dietas para saúde é ...
abrir o post
03/05/2018
Quanto você está preparado para os desafios inesperados da vida?
abrir o post
15/02/2018
O câncer pode ser prevenido pelo exercício físico?
abrir o post
05/02/2018
O álcool: o que mais além de um prazer?
abrir o post
19/04/2017
4 razões “científicas” para ser seletivo e moderado no consumo de gorduras
abrir o post
 
 
21 de Junho de 2018
clique para acessar a coluna
 
BUSCA PELO SITE
Galeria de Fotos
TV Sinomar
Links
Calendário
Cadastre-se
CONHEÇA MAIS
Sinomar Calmona
Presidente Prudente / SP
Jornal O Imparcial
Contato
ACOMPANHE NAS REDES SOCIAIS
 
DESENVOLVIDO POR:
Fabrício Modafaris