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Diego Ariça Ceccato • Articulistas

28 de Abril de 2018 -
Perdoar e condescender, uma importante diferença
Por:

Escrever de forma crítica sobre assuntos de comportamentos não é tarefa fácil. Há sempre o risco daquele que escreve se tornar incoerente, hipócrita e soberbo, se colocando em um patamar superior como se soubesse todas as respostas e fosse um certo guardião da moral. Deus me livre de incorrer nesse erro! Pelo contrário, busco sempre me colocar no mesmo nível de meus pares, mas com um olhar externo e apontando certas incoerências nos discursos. Não se trata de um apontamento julgador, que condena, mas sim uma forma de mostrar àqueles que me leem, determinadas incoerências de pessoas que querem ditar regras. A última coisa que quero é ditar regras, dizer o que certo e o que é errado. Por isso me sinto a vontade para apontar inconsistências daqueles que querem ser o detentor da moral e da ética. Dito isso, julgo importante diferenciar alguns conceitos, muitas vezes no debate público brasileiro está se confundindo, que é o ato de perdoar e o ato de condescender, de consentir.

Muitos acabam questionando aqueles que como eu, resolvem escrever de forma crítica certos comportamentos da sociedade. Geralmente o ataque é feito por meio de um viés religioso. A tese é a seguinte, como você pode ser cristão e escrever de maneira tão dura sobre fulano ou beltrano? Cristo não era pregador do perdão? Você é cristão somente dentro da igreja? Bom, essa é sem dúvida uma incoerência infundada, feita ou por ignorantes ou por picaretas. Explico porquê.

 

 
 

Há uma diferença muito grande entre perdoar alguém, não julgar previamente os atos de uma pessoa e condescender com essa mesma pessoa. Se você perguntar para mim se me agrada ver uma pessoa sendo presa ou pagando pelos erros cometidos no passado, a resposta é NÃO! Não me agrada ver a pessoa na miséria humana, exposta por suas falhas. Até porque eu mesmo já cometi aos montes e sei como é caro o pagamento dos desvios em nossa jornada. Até mesmo os crimes mais hediondos me causam uma certa tristeza ao ver o culpado ser punido. De alguma forma procuro ter um momento de empatia e me colocar em seu lugar e saber o quão difícil será se recuperar dos erros cometidos. Acreditem ou não, esse sou eu. Quer dizer então que eu acredito que as pessoas não devem ser punidas? A resposta também é NÃO! A punição por meio do sistema judicial, passando por todas as esferas, desde a acusação, investigação, julgamento, condenação e estipulação da pena, são mecanismos de respostas à sociedade. Afinal, aquele que comete erros precisa de alguma forma pagar por eles, e uma democracia só funciona quando sabemos que há limites naquilo que pode ou não ser feito. Sem isso teríamos a barbárie. O discurso de não criticar o criminoso é uma forma de condescender com erro, condescender com o crime, ou seja, aceitar que o crime é justificável, aceitável. Por isso que perdoar e condescender são coisas totalmente diferentes. É possível perdoar alguém pelos erros cometidos e ainda sim criticá-los pelo mesmos erros e exigir sua punição, desde que seja justa a proporcional pelo crime cometido.

E porque eu disse que aqueles que não fazem distinção entre o perdão e a condescendência são ignorantes ou picaretas? Bom, o ignorante não há muito a explicar, são aqueles que infelizmente ainda faltam vocabulário e bagagem, e querem opinar sobre aquilo que desconhecem. Os picaretas é caso bem mais grave. Explico. Os picaretas são os primeiros a jogarem pedras naqueles que cometem erros e estão fora do seu círculo de amigos. Mas quando alguém da patota é pego no flagra e são criticados, não pensam duas vezes em difamar os críticos, tratando-os como insensíveis e hipócritas. A extrema esquerda e a extrema direita são muito boas nisso, são máquinas de manchar ou lavar reputações.  Aos amigos tudo, aos inimigos nada!

Para os que são ainda mais picaretas e colocam Cristo no meio dessa conversa, dizendo assim: “Olhá lá, Cristo perdoou e você não irá perdoar?”, eu lembro uma única coisa. Cristo  perdoou o ladrão NA cruz e não o perdoou DA cruz. O ladrão, mesmo perdoado, precisou pagar pelo seus erros.

Diego Ceccato, professor de química, conectado no mundo das inovações. Idealizador da startup Personaulas.

e-mail: diegoceccato@gmail.com

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