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Diego Ariça Ceccato • Articulistas

11 de Maio de 2018 -
Educar para o futuro – Possibilidades e caminhos
Por:

O mundo está em constante evolução. Sim, já ouvimos isso muitas vezes, parece uma expressão batida, um chavão. De fato, evoluímos constantemente, o mundo sempre passa (e sempre passou) por mudanças constantes e contínuas, mas há algo em nossos tempos que nos diferencia, que distingue nossa época de períodos anteriores. Estamos vivendo uma revolução. A ideia não é minha, é de muitos outros autores. Entre eles Manuel Castells, sociólogo espanhol que em seu livro “A sociedade em rede” descreve muito bem o que é uma revolução e porque estamos passando por uma nesse momento.

Toda revolução se caracteriza por mudanças muito rápidas em um pequeno intervalo de tempo. Pequeno aqui significa 30, 40 anos. Parece muito, mas são intervalos nos quais ocorrem muito mais transformações do que nos 200 anos anteriores. São mudanças tão bruscas que atingem diretamente nossa forma de viver e estabelece uma nova ordem, rompe paradigmas e cria uma nova forma de organização social e econômica. Já passamos por outras revoluções anteriores que mudaram nossa forma de interagir com o mundo. A primeira revolução industrial que nos trouxe o advento da máquina a vapor, a segunda revolução industrial que transformou a indústria já existente com a chegada da eletricidade e padronização de procedimentos. Essa segunda revolução caracteriza-se também pelo fortalecimento da indústria química, trazendo novos medicamentos, maneiras de produzir alimentos em larga escala e formas de conservá-los. Alguém tem dúvida de que a energia elétrica mudou a maneira com a qual o homem se relaciona com o mundo? Pois bem, essa mudança, em um intervalo curto de tempo, caracteriza uma revolução! Atualmente vivemos a revolução da tecnologia da informação. Nesse novo modo de interagir com o mundo, a informação é a principal moeda de troca de nossas relações. A produção de produtos foi deixada em segundo plano tendo hoje maior importância a produção de informação, a produção de conteúdo.

 
 

Acha estranho? Vamos dar um exemplo, o que será que vale mais hoje, uma companhia como o Google ou um grande empresa de minério? O Facebook ou uma grande produtora de alimentos? Pois é! E o que são o Google e o Facebook ( e tantas outras redes sociais) se não produtoras e publicadoras de conteúdos, de informações. A informação sempre foi importante e esteve presente em outros períodos de nossa história, mas a diferença de agora é que ela ganha papel de protagonista e tudo que de mais valor é desenvolvido como celulares, computadores, computação em nuvens, big data, é produzido buscando aumentar a disseminação de informação, mudando nossa maneira de interagir com o mundo de forma irreversível. Por isso trata-se de uma revolução, a revolução da tecnologia da informação.

Nesse novo paradigma, nessa nova forma de analisar o mundo, qual o papel da educação? Qual o papel de nós educadores? Pergunta difícil e resposta impossível, mas não podemos deixar de pensar nisso. É papel nosso educarmos essa geração para os desafios do futuro. Na verdade, já são os desafios do presente. Dizem alguns de meus colegas de profissão o contrário. Dizem que a educação deve servir como uma forma de resistência e que não podemos nos deixar pautar pelas mudanças da sociedade. Sinceramente esse papo me dá um pouco de sono, achar que o papel da escola é resistir e esquecer as influências do mundo que está lá fora. Muito fácil o discurso para quem já está empregado e não precisa mais enfrentar os desafios do mercado de trabalho. Eu prefiro acreditar que é sim nosso dever formar para o mercado, formar para a inserção nessa nova sociedade. Então voltamos à pergunta inicial, como fazer isso? Como já disse e repito, não há resposta pronta, mas podemos pensar em algumas saídas.

A primeira ação que nós professores podemos fazer é nos acostumarmos com a ideia de que é possível que os alunos tenham mais informações que nós sobre determinados temas. Eu sei que somos treinados para acharmos que não, que sempre sabemos mais que os alunos. Esqueçam, é uma corrida perdida, eles sempre saberão mais que nós professores, sempre terão mais informações. Lembrem-se, eles nasceram imersos na revolução da tecnologia da informação. Nosso papel então é trabalhar essas informações com alunos, pois nesse ponto temos muito a oferecer. Devido a formação, a maturidade e as experiências vividas ao longo da carreira acadêmica, o professor tem uma grande capacidade de articular informações diferentes em torno de um tema central. E é isso que precisamos passar para nossos estudantes. Inclusive é isso que a sociedade e o mercado de trabalho esperam dele, articular diferentes informações em torno de um objetivo comum.

Um segundo ponto, talvez, fosse a ideia que alguns chamam de “aprender fazendo”, que tem muito a ver com algo novo que aparece por aí que é a cultura maker. Em um paradigma antigo, tínhamos a ideia de aprender usando. Agora não, vamos aprendendo e construindo e conforme construímos vamos aprendendo. Hoje, os problemas são muito dinâmicos e soluções que eram utilizadas em um primeiro ano de graduação, talvez não sejam mais válidas no terceiro ano. Por isso a ideia de aprender fazendo, de ir incrementando as soluções com as novas ferramentas que vão aparecendo. Importante lembrar aqui que conceitos científicos mudam a uma velocidade muito mais lenta, isso quando mudam. Já são muito bem estabelecidos e referendados. Então esse novo modelo de aprendizagem não significa deixar de lado tudo o que já foi construído. Pelo contrário, é fortalecer o ensino daquilo que é sólido, aquilo que pouco muda, e a partir dessa base, dessa solidez, ensinar os alunos a resolverem problemas cada vez mais dinâmicos.

Não há um jeito certo de se fazer, acredito que nós educadores também estejamos em uma fase de “aprender fazendo”. Também não quero cair no discurso fácil dos entusiastas, eu diria talvez fanáticos, pela tecnologia que acreditam que essa nova forma de vida será muito melhor que as anteriores e acreditar que a tecnologia resolverá boa parte de novas problemas. Tão pouco quero acusar a tecnologia de trazer problemas que antes não existiam, de ampliar o número de informações e diminuir a profundidade de todos nós. Talvez isso eu deixe para outro texto. Com que eu me importo aqui é que essa tecnologia, essa nova forma da sociedade é um dado da realidade, ela está aí e não há como mudar e o que nós educadores faremos em relação a isso, seremos a “resistência” e continuaremos a formar nossos alunos para um mercado de trabalho que não existe mais, ou tentaremos efetuar algumas mudanças para que nos jovens tenho uma chance nessa nova realidade?

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