Angelica Bongiovani • Articulistas

11 de Maio de 2018

QUEM MÃE TEM, CUIDA QUE AINDA TEM

Assim como as festas de final de ano, provocam sensações desconfortáveis como angustia, melancolia ou nostalgia; dia das mães ainda mais. Todo meu respeito e cumplicidade a todas as mães que sofrem, sofreram ou estão sofrendo nesse momento, pela perda de seus filhos. Todo meu carinho e abraço acolhedor a todos os filhos ou filhas que perderam suas mães. Quem mãe tem, cuida que ainda tem. Somente quem perde sabe, o que significa exatamente a falta de um ente amado. É importante a conscientização do quanto é importante viver o hoje, como se não houvesse o amanhã (Renato Russo). Muitas vezes deixamos para amanhã atitudes tão simples, singela e nobre em função do tempo e a pressa. É fato que muitas vezes pode ser tarde demais. Não aproveitamos tampouco valorizamos o agora ou o presente. O mais importante podem acreditar; é um simples gesto que se origina espontaneamente, do fundo d’alma. É o maior presente. Agora pouco li uma reportagem, que o dia das mães havia acabado para uma aposentada que soube da morte de sua filha e netos, que habitavam um andar do prédio incendiado que desmoronou no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo. Bem isso, acabou. Para quem perde alguém que ama, fica a sensação de que algo acabou. Um grande vazio toma conta de nosso psiquismo. Fiquei muito comovida. Acredito que todos nós, estamos vivenciando a dor da perda pela mãe pátria Brasil. Órfãos e perdidos seguimos soltos esparramados e sem fronteiras, vitimas da corrupção. Sofremos abusos em todos os sentidos, sem direito a moradia decente, assistência à saúde, educação, e vida normal.

Pagamos impostos e não há retorno digno e natural para amparar os seus filhos que perambulam no tempo, e sem teto, sujeitos a tempestades. As crianças do Brasil estão sem amparo, proteção, afeto, educação, saúde, e sem espaço para viver de fato o que a infância necessita. O Brasileiro está de luto. Rozenberg, M.(psicanalista) escreve que, “Estamos num país filicida (assassino do próprio filho) que acolhe e alimenta o que há de pior do ser humano! Que lástima, quanta vida desperdiçada! Assassina-se a alma do brasileiro”. Uma verdade e realidade. Nessas épocas, como o dia das mães reverberam sentimentos do passado para o presente momento, como se tudo fosse “agora”. Em seu texto, luto e melancolia (1914), Freud ressalta a desvitalização e deslibidinização no comportamento de quem vive o luto. Retira-se toda a libido do mundo externo e volta-se para o ego. Assim a pessoa, em tal estado deixa de se interessar pelas coisas do mundo ao seu redor, na medida em que não dizem respeito ao seu sofrimento. E permanece ensimesmado até poder dar conta da elaboração. Que o Brasil possa ser resgatado do lugar em que se encontra e ocupa. Somente o amor, como o das Mães pelos seus filhos, poderá despertar um Brasil melhor. Temos que ter fé e esperança de que um dia a justiça prevalecerá e o homem ficará menos egoísta. Que o amor de MÃE possa contaminar mais o Brasil. Que o amor de Mãe invada todos os corações das pessoas. Que todos tenham e possam sentir o amor de Mãe. Que todos possam ter o amor de mãe para distribuir um pouco. É um santo remédio. Feliz dia das mães!

Maria Angelica Amoriello Bongiovani-Psicanalista

Membro filiado na Sociedade Brasileira de Psicanalise de São Paulo

Contato:angelicabongiovani@stetnet.combr

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