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01 de Dezembro de 2019

DEPOIMENTO - “A Subida do Himalaia cheira liberdade e tem presença constante de fé no caminho”

Jornalista de Presidente Prudente narra sua subida ao acampamento base do Monte Everest, uma escalada de 13 dias, neste mês de Novembro

 

JULIA CORRADI

ESPECIAL PARA O IMPARCIAL

Novembro chegou e cá estou eu mais uma vez na cordilheira dos Himalaias. Morar em Singapura felizmente me permite viajar pela Ásia com facilidade. Em 2 semanas, decidi fazer a trilha do acampamento base do Everest (não o topo, mas alcançar 5360 por meio de muita andança) e organizei a viagem toda. Novembro é um ótimo mês dada a baixa incidência de chuva, peguei lindos dias de sol. Hari - o mesmo guia que me acompanhou nas montanhas de Annapurna (também no Nepal), em fevereiro - e eu começamos aos 2652m, no vilarejo de Lukla, para onde a maioria dos trekkers voa para fazer o Everest Base Camp - popularmente conhecido como EBC - ou qualquer outra trilha naquela região.

Julia Corradi: “Trekking ao Acampamento Base do Everest é um dos mais belos do mundo”

 

A vista do avião é linda!  Me assustei mais com o tamanho da pista de pouso (curtíssima e já foi considerada uma das mais perigosas do mundo) do que com o vôo em si.

Foram 12 dias nas montanhas: 11 de trilhas e 1 pra pegar o vôo de volta pra capital, Kathmandu.

 

No segundo dia, ganhamos 800m de altimetria. No oitavo, chegamos ao EBC.

No antipenúltimo, quase perdi os pulmões ao subir em um pico de 5550m e bater meu recorde de caminhada pra retornar 21km em 1 dia. Estou acostumada com corridas, algumas em montanhas paulistas, mas nada que se compare a andar acima de 5 mil metros.

                                                                                          Foto: Julia Corradi

Uma das incríveis paisagens dominadas pelas montanhas mais altas e famosa do mundo

 

Foram 124km percorridos, incluindo 2 dias de “descanso” e aclimatação - quando explorávamos parte dos vilarejos, além das simples “casas de chá” onde nos hospedávamos - e ganho de altitude total de quase 3 mil metros.

 

Vi crianças lindas, com bochechas rosadas (as pessoas que vivem nas alturas têm mais Hemoglobina que a média da população que vive fora de montanhas, dado o ar rarefeito), vi o reflexo do sol nas montanhas pela manhã e ao pôr do sol, uma coisa maravilhosa. Desviei e dei passagem aos incontáveis animais (e seus cocôs depositados “frescamente” ao longo do caminho), me impressionei com os carregadores/transportadores, que são verdadeiros guerreiros (estou pasma até agora com o peso que levam), pisei em pedras, riachos, pontes, terra batida e escadas, perdi o fôlego e o recuperei em múltiplas ocasiões. Nem sei quantos ângulos diferentes de diversas montanhas vi, conheci pessoas de vários países e escutei, com admiração, a jornada de alguns.

 

Enquanto caminhava, sentia cheiro de liberdade e podia contar com uma presença constante de fé no caminho. Nem achei que fosse minha. Pensava que enxergava isso no fundo dos olhos dos habitantes das montanhas, mas, agora refletindo, acho que a fé e o amor da minha família me deram forças pra seguir adiante, mesmo quando senti extrema fraqueza nas pernas e a redução de oxigênio na altitude me pegou (até 25% a menos, nos pontos mais altos), fazendo com que eu quase desistisse. Foi, sem dúvida, o maior desafio físico e mental pelo qual já passei.

 

Que bom que a vida tem seus presentes bonitos, não é?

 

धन्यवाद (obrigada, em nepalês), Nepal. Guardarei todas essas lembranças com carinho na memória e no coração.

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Julia Corradi Custodio da Silva, 31 anos,  natural de Presidente Prudente,  é  jornalista e empresária, e reside atualmente em Cingapura

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