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13 de Janeiro de 2020

Egresso conquista validação de diploma médico nos EUA

Gabriel Aleixo se formou em Medicina pela Unoeste em 2018 e aguarda o resultado da residência no país norte americano

Foto: Cedida

Médico passou por todas as etapas da validação nos EUA e revela gratidão pela universidade em que se formou

 

Ao ser convidado para conceder uma entrevista para a produção de uma matéria sobre a validação de seu diploma médico nos Estados Unidos, Gabriel Aleixo, prudentino de 34 anos e egresso do curso de Medicina da Unoeste, deixou transparecer de maneira muito natural uma de suas principais características: a generosidade. “Vocês poderão usar meu caso para explicar como funciona o sistema de revalidação e residência médica nos EUA para informar os alunos”, disse ele, que contou um pouquinho de sua história e como conquistou a oportunidade para trabalhar no país norte americano.

Formado em 2018 na Medicina Unoeste, campus de Presidente Prudente, Gabriel Aleixo começou a pensar na possibilidade de ir trabalhar nos Estados Unidos no terceiro ano do curso.  “Fui influenciado pelo meu amigo Felipe Batalini, que atua como médico em Harvard. O sistema USMLE [United States Medical Licensing Exam – Exame de Licenciamento Médico dos Estados Unidos] está aberto para todos. Não tenho família e nem ninguém nos EUA, me interessei em vir realmente através desse meu grande amigo”, conta.

O ex-aluno explica que para atuar como médico no país norte americano é preciso que o profissional faça residência nos Estados Unidos, porém, para conquistar uma vaga é preciso passar por um longo e complicado processo de provas e testes.

“Estudei por seis meses para prestar o USMLE Step 1, que é a primeira prova para validação que não pode reprovar e nem refazer, isso no final do terceiro ano do curso de Medicina. Depois continuei estudando e no início do sexto ano da graduação, entrei em contato com universidades dos EUA. Tranquei meu curso na Unoeste e fui fazer estágios em Yale, UNC, Emory e na Cleveland Clinic. Durante este período conheci o Dr. Hyman Muss, que aceitou me receber por um ano após ser graduado para pesquisar sobre o impacto da capacidade muscular em pacientes com câncer de mama. Já de volta a Prudente, no final do curso, prestei o USMLE Step 2, a segunda etapa da validação, uma prova de 322 questões e que você novamente não pode falhar, pois não pode ser refeita por sete anos após a reprovação. Foi então que vim para Chapel Hill, que faz parte do triângulo da pesquisa da Carolina do Norte. Aqui estão a Duke UNC e a Wake Forest. A UNC é a melhor escola médica em quesito de atenção primária e tem a 10ª maior fundação de pesquisa dos Estados Unidos, além de dois prêmios Nobel”.

Gabriel salienta que foi justamente na UNC que fez cursos na área de estatística, data management, genética e liderou mais de 10 projetos de pesquisa, publicando vários deles em revistas de alto impacto nos Estados Unidos como a The Oncologist, BRCT, Cancer, entre outras. “Neste período prestei o USMLE Step 3, que é a última prova que garante a possibilidade de trabalhar sem supervisão no país. Em todas as provas tirei mais que 95% do percentual dos alunos americanos e pude aplicar [prestar] para residência médica nos Estados Unidos. Estou aguardando o dia do Match [combinação entre os seus locais de interesse e o interesse das instituições], resultado que sairá no dia 20 de março”, diz.

Sobre a medicina, a Unoeste e sua cidade natal, Gabriel fala com muito carinho e gratidão sobre seu sonho de ajudar ao próximo e garantir desenvolvimento da ciência como pesquisador da área. “Academicamente a universidade me garantiu exposição para diferentes tipos de patologias. Há ótimos professores na instituição como o Dr. José Bressa e a Dra. Nilva Galli, por exemplo, que me ajudaram muito durante esse processo e sou eternamente grato a eles. Pessoalmente falando, levo amigos e um sentimento bom de uma universidade que só me abriu portas. Foi ali que comecei a amar a ciência e no fim, tudo deu certo. Só tenho que agradecer a todos e a minha família, que sempre foi meu maior suporte”, completa o médico.

Entenda o processo de validação

De acordo com Gabriel, nos EUA, no ano de 2014, havia 17.487 médicos americanos aplicando [prestando] para 25.463 vagas pelo Match. O que demostra que o país depende de IMG (International Medical Graduates – Graduados em Medicina Internacional) para preencher todas as vagas de residência médica. “O problema é o oposto do Brasil, onde faltam vagas de residência mesmo para os formados no país. Então, milhares de IMGs aplicam para a residência médica, que é muito concorrida, mas o importante é saber que os EUA dependem desse pessoal para preencher as vagas”, explica.

O primeiro passo é se cadastrar no ECFMG, departamento responsável pela acreditação dos estrangeiros. Para se cadastrar, é preciso verificar se a instituição de ensino superior está na lista do IMED (International Medical Educational Directory – Diretório Educacional Médico Internacional), que tem a lista de todos os cursos de medicina do mundo que são reconhecidos pelo governo do próprio país. No Brasil, se a instituição é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), o nome deve estar no diretório do IMED. “O candidato então se cadastra no site do ECFMG, que vai fornecer um número de identificação e abrir uma pasta com o nome da pessoa. O ECFMG vai iniciar o processo, verificando diretamente com a faculdade de medicina se o candidato realmente é estudante ou formado e conferir a autenticidade dos documentos fornecidos. Uma vez que o ECFMG conferiu os documentos, já pode marcar para fazer as provas, desde que a pessoa tenha terminado os primeiros dois anos do curso antes da primeira etapa”, salienta Aleixo.

Após aprovação nas três provas, ele recebe o ECFMG Certificate, que dá o direito de buscar uma residência médica como qualquer estudante de medicina americano, que também teve que fazer as mesmas avaliações. “Nas residências, o fator mais importante para ser chamado para as entrevistas são as suas notas, principalmente do Step 1. A única diferença entre o estudantes americano e o IMG é que este último cadastra para as provas do USMLE através de uma entidade chamada ECFMG2, que é como se fosse um escritório para todos os IMGs nos EUA. Quando o USMLE ou um hospital precisa de documentos dos estudantes de medicina americanos, eles enviam uma carta para a faculdade de medicina deles. Para qualquer IMG, eles enviam uma para o ECFMG, cuja função é verificar da melhor maneira possível as credenciais e a autenticidade de todos os IMGs”, explica.

Por fim, Aleixo revela que o candidato deve ficar atento ao calendário do processo. O início dessa busca de ingresso nos programas de residência é no dia 15 de setembro de todo ano. As entrevistas são feitas entre final deste mesmo mês e janeiro do ano seguinte. O dia do Match é no meio de março e o início da residência é somente em junho ou julho. Mais informações podem ser obtidas no site do USMLE.

 

Willy Macedo
O Imparcial