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Nutrição & Atividade Física • Articulistas

02 de Julho de 2015 -
Glúten e lactose: você precisa mesmo evita-los?
Por: Jair Rodrigues Garcia Júnior

Sabe aquela gordura das carnes, do leite, queijos etc? Sabe aquele excesso de sal comum dos queijos, dos embutidos, do churrasco, da feijoada etc? Claro que sabe, pois fazem parte de alimentos comum em nossas refeições diárias. A gordura contida nestes alimentos é denominada de saturada e precisamos muito pouco dela. Precisamos do sal (NaCl), porém em quantidade limitada. Acredite, se reduzirmos a quase zero o consumo de gordura saturada (característica da Dieta Mediterrânea) e restringirmos bastante o sal, provavelmente viveremos com mais saúde por mais tempo.

Você sabe também sobre o glúten do trigo e sobre a lactose do leite (e laticínios)? Talvez saiba, mas apenas o que os “seguidores das dietas da moda” informam, com base em... modismos e marketing da indústria de alimentos “Glúten-Free” e “Lactose-Free”. Assim como quem não tem diabetes não precisa “deixar” de ingerir carboidratos (ou ingerir de forma controlada), quem não tem doença celíaca ou intolerância à lactose, não precisa evitar os alimentos que contenham glúten e lactose. Não há razão! Neste caso, você não vai viver com mais saúde por mais tempo.

A doença celíaca é uma inflamação crônica do intestino delgado causada pela dificuldade em digerir o glúten (ou gluteína; uma proteína do trigo e da cevada) e pela resposta exagerada do sistema imunológico à presença do glúten no intestino. As consequências da inflamação intestinal são a má absorção, deficiência nutricional e alteração no metabolismo de neurotransmissores[1]. Você sabe que as pessoas com doença celíaca representam, na população mundial, apenas 1%? Se você nunca sentiu desconforto ingerindo pães, pizza e massas em geral (derivados do trigo mais comuns na alimentação), então você não é geneticamente susceptível e não está no grupo de 70 milhões (entre os 7 bilhões da população) de doentes celíacos[2].

Ocorre que tem aumentado o número de pessoas que se dizem “sensíveis ao glúten” sem apresentar as características da doença celíaca. Estudo interessante demonstrou que essas pessoas não celíacas, mas que manifestavam sensibilidade e desconforto ao glúten apresentavam o mesmo desconforto quando ingeriam diferentes quantidades (2 e 16 g) de glúten e, até mesmo um placebo (zero glúten), caracterizando um efeito psicológico[3]. Em geral, quando essas pessoas consomem alimentos com selo “glúten-free” têm os sintomas clínicos melhorados. Há estudos relacionando essa “sensibilidade ao glúten” com diversos tipos de distúrbios psiquiátricas[1].

Em razão da maior procura e dependência das pessoas pelos produtos “glúten-free”, esse mercado cresceu quase 30% nos EUA, nos últimos 5 anos (ver Figura). Ou seja, há muito mais pessoas que os doentes celíacos consumindo tais produtos. Mas em benefício de quem? Principalmente da indústria de alimentos que, com seu marketing e com a contribuição de profissionais que recomendam tais produtos indiscriminadamente, aumenta seus lucros exponencialmente.

 
 

A intolerância à lactose se refere à dificuldade em digerir esse carboidrato presente nos laticínios. Quando ocorre, os sintomas são flatulência (gases no intestino), inchaço abdominal, diarreia, cãibra no estômago, náusea e vómito, após 15 min a 2h do consumo do alimento. São três as causas da intolerância à lactose: a) genética, que surge nos primeiros anos de vida com o consumo de leite e presença de intensa diarreia; b) vírus (HIV, rotavírus), outras doenças (ex. celíaca), gastroenterite parasitaria ou desnutrição; c) utilização desnecessária de enzima lactase para digestão de lactose, redução da ingestão alimentos com lactose (ou consumo excessivo de produtos “lactose-free”). Está última causa é a mais frequente porque ao consumir menos lactose, a produção natural da enzima lactase é menor e vai diminuindo a capacidade de digerir a lactose, quando esta é consumida[4,5].

Principalmente por modismos, o consumo de produtos “lactose-free” também está em crescimento, sendo de aproximadamente 75% num período de cinco anos. De forma semelhante aos produtos “glúten-free”, o preço é cerca de 30% maior e há muitas pessoas pagando mais caro sem necessidade[6].

Hoje, o consumo de alimentos “glúten-free”e “lactose-free” está associado às dietas para emagrecimento, porém o que provoca o emagrecimento é a diminuição do consumo de gorduras (ex. queijos) e de carboidratos (ex. massas) que, coincidentemente, possuem glúten e lactose. Deixando de consumir o glúten e lactose sem necessidade, você tende a ficar intolerante. Pense nisso.

1. Genius SJ, Lobo RA. Glutensensitivitypresenting as a neuropsychiatric disorder. Gastoenterol Res Pract. 2014;2014:293206. DOI: http://dx.doi.org/10.1155/2014/293206

2. Aziz I, Hadjivassiliou M, Sanders DS. Does gluten sensitivity in the absence of coeliac disease exist? British Medical Journal. 2012;345:e7907. DOI: http://dx.doi.org/10.1136/bmj.e7907

3. Biesiekierski HR et al. No effects of gluten in patients with self-reported non-celiacglutensensitivityafterdietary reduction of fermentable, poorly absorbed, short-chain carbohydrates. Gastoenterology. 2013;145(2):320-8.e1-3. DOI: http://dx.doi.org/10.1053/j.gastro.2013.04.051.

4. The Dairy Council. Lactose intolerance: prevalence, symptoms and diagnosis. 2015. Disponível em: http://www.milk.co.uk/page.aspx?intPageID=138

5. Di Rienzo T, D'Angelo G, D'Aversa F, Campanale MC, Cesario V, Montalto M, Gasbarrini A, Ojetti V. Lactose intolerance: from diagnosis to correct management. Eur Rev Med Pharmacol Sci. 2013;17(Suppl 2):18-25.

6. Food & Health Innovation Service. The position of the lactose-free market within the food industry. 2014. Disponível em: http://migre.me/qzTgc

 

1 julho 2015

 

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Doutor em Fisiologia Humana pela USP

Professor do Curso de Educação Física da UNOESTE

e-mail: jgjunior@unoeste.br

Facebook:facebook.com/jgjunior44

Twitter: @exercicionutri

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