Minhas Corridas • Sinomar

21 de Novembro de 2015

Istambul: corri de um mundo para o outro

Às seis da manhã deixo o meu hotel a duas quadras da Mesquita Azul e nas ruas cruzo com corredores de várias nacionalidades seguindo na mesma direção: a praça de onde sairão os ônibus que levarão os participantes instalados no bairro histórico da cidade até a ponte do estreito de Bósforo,  largada da 37.a Maratona de Istambul (15/11/15). Sigo o fluxo.   Tudo muito bem organizado.

Estavam presentes atletas de 80 países. Depois dos turcos, os mais numerosos eram os alemães, seguido de franceses e japoneses. Poucos brasileiros. Só encontrei um, Clóvis, 61 anos, bancário aposentado, da equipe Adalberto Garcia, de São José do Rio Preto, veterano corredor de maratonas pelo mundo.

A Maratona de Istambul foi realizada pela primeira vez em 1979 e tem lugar todos os anos na maior cidade da Turquia localizada no noroeste do país. É a única maratona do mundo, onde os participantes cruzam dois continentes.

O percurso começa no lado asiático e termina no lado europeu e leva os corredores a uma bela viagem através da história em um dos povoados mais antigos do mundo.

A concentração é a 300 metros da ponte, do lado asiático, onde se forma um grande congestionamento de corredores. A largada é dada  pontualmente às nove da manhã. O locutor gritava estridentemente em turco até o início da largada, quando fez a contagem em inglês.

Fazia frio, mas o céu estava limpo e claro. Não choveu como nos últimos dois anos. O percurso começa com o momento marcante da prova que foi cruzar a ponte, oficialmente atravessando do continente asiático para o europeu. Saindo da ponte deparamos com uma subida longa, mas acentuada muito levemente, suficiente para perceber a multidão de corredores divididos em 3 blocos. À frente, quase sumindo ia o pelotão de elite, num ritmo forte. No meio o bloco dos bem dotados, corredores amadores que correm quase iguais os profissionais. Depois, a minha turma, o bloco dos esforçados e persistentes, que correm para cruzar a linha de chegada da mítica distância dos 42 km da maratona.

O percurso tem lindas paisagens. Muitos não resistiam e paravam para fazer selfies,  aproveitando a chance especial de estar ali.

Saindo da ponte, uma ladeira não muito acentuada de cerca de 2 km. Depois um trecho de residências, com muitas pessoas nas calçadas, aplaudindo e incentivando os corredores. O percurso continuou todo plano até o km 18. A primeira subida era muito leve, nada comparada com as que estamos acostumados a treinar em Presidente Prudente. Aliás, meu treinador, Eliseu Sena, sempre diz que quem treina nas ladeiras de Presidente Prudente condiciona-se para correr em qualquer lugar do mundo.

Depois chegamos a uma longa avenida de mão dupla que contorna o Mar Mármara, onde corremos 8 km em uma direção e voltamos outros 13 km.

O asfalto era bom e havia indicação da quilometragem percorrida a cada km, e postos de hidratação a cada 2,5 km.

A corrida era uma grande festa. O povo estava nas calçadas aplaudindo e incentivando os corredores. Em alguns trechos bandas tocavam para animar a corrida. Senhores turcos tomavam chá sentados nas calçadas. Nos parques, famílias inteiras estavam sentadas no gramado, comendo lanches. Aplaudiam e gritavam palavras de incentivo aos corredores.

Vi corredores empurrando amigos portadores de deficiência em cadeiras de rodas.

No km 40 chegamos ao bairro de Sultanahmet, centro histórico de Istambul. Foi o momento mais emocionante da prova, pelo carinho da receptividade dos turcos, que se solidarizam com o esforço dos atletas.

Nos dois últimos quilômetros senti dores nos tendões das duas pernas, fadigados pela prova longa, e só não parei porque absorvi os gritos da multidão. Quando mais precisei de uma força, recebi energia das pessoas que gritavam na calçada. Cruzei a linha de chegada rebocado pelos aplausos e incentivos do publico. Fantástico!! Inesquecível!!!

 

Cultura Inglesa
Willy Macedo