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Minhas Corridas • Sinomar

02 de Maio de 2016 -
Maratona de São Paulo: uma experiência intensa
Por: SINOMAR CALMONA

Acompanhando o clima em São Paulo ao longo da semana, o calor aumentava dia a dia. Cada um grau a mais na temperatura representava segundos na minha previsão de pace (min/km)  e o medo de não conseguir terminar a prova devido à alta temperatura.

Quando cheguei à linha de largada da 22ª edição da Maratona de São Paulo - a mais dificil do Brasil - dia 24/04/16 , minha terceira prova de 42 km, a temperatura estava mais alta que o esperado para atingir o sonho de me aproximar do tempo de 4 horas.

O pelotão de elite lá na frente, saiu em disparada do Obelisco do Ibirapuera rumo à avenida República do Líbano. Os grupos de corredores foram separados conforme os seus tempos médios e liberados em ondas. Era tanta gente que simplesmente começamos andando. Correndo mesmo só uns 200 metros depois do pórtico de largada.

Depois da ponte  da Cidade Jardim fui tangenciando atrás de sombras das arvores como fazem os pilotos da Formula 1 com pneus lisos procurando piso seco em dia de chuva. Na cabeça o mantra era curtir o momento, correr no ritmo de 6 km por hora pelos próximos 10 km, e depois resolver a hora de acelerar, conforme as reações do corpo.  Queria cumprir essa jornada da melhor forma possível,  rápido ou lento. Eu vou chegar, prometia, dando ordens ao corpo para resistir o máximo e suportar o sofrimento que sempre vem no quarto final da prova.

Entre os km 10 e 11 a primeira subida verdadeiramente exigente: a da ponte da USP. Depois, tentei acelerar, saltando do pace de 6 minutos por km para 5:30.  A idéia era reduzir só quando o cansaço apertasse, e na parte final ver o que fazer depois, para chegar sem sofrimento. 

O corpo parecia estar bem e a mente tranquila, motivada e feliz em conquistar o direito de saborear essa experiência. 

Treinei bem. Fui disciplinado no cumprimento das planilhas do meu competente treinador, Eliseu Sena.  Tudo ia bem entre os km 12 e 20, numa sequência de retornos, pelo Alto de Pinheiros, com ida e volta pela avenida Pedroso de Morais.

No km 28, altura da USP,  uma subida para os fortes, entre a estátua do “Cavalo” e o Bosque da USP. Tentava descer rápido para compensar a dificuldade das subidas que fazia diminuir a velocidade. Isso e o calor foi minando a resistência mais rapidamente do que eu pensava. 

Percebi que o humor começava mudar. Mudavam as feições e performance dos corredores. A placa logo ali na frente explicava porque: chegávamos ao km 30, conhecido como uma barreira psicológica e fisiológica das maratonas. Entramos numa zona desconhecida. É quando o maratonista depleta o glicogênio e o desgaste so’ aumenta. Voce pode comer o que quiser antes da corrida, mas se nao houver reposição nas das primeiras horasda prova, nao tem de onde tirar. A reposição de carboidrato e’fundamental.

O calor ja estava previsto. Por volta de 11 horas a temperatura beirava os 37 graus. As sombras das arvores da região amenizaram um pouco.

Até então consegui correr 3 horas sem parar, mantendo o ritmo das passadas. Mas o bom rendimento começou a acabar por ai, com pace caindo a cada quilômetro, e a sensação de que as pernas iam ficando pesadas. Hora de mudar tudo e poupar para tentar chegar.

A partir de então os olhos  começam a procurar com sofreguidão pelas placas de quilometragem. Quando passva uma placa, vinha uma certa ansiedade pela próxima, e assim sucessivamente. Preocupação, medo de não chegar...corredores intranquilos nesse momento. Eu tentava descer rápido para compensar as dificuldades que aumentavam nas subidas.

No km 37 começam os túneis. Os corredores cruzam o rio Pinheiros sob as águas, no longo túnel que liga o Jockey Clube à avenida JK.  

No túnel Janio Quadros, interminável,  um corredor gritou: “Alguém aqui já está cansado?”. Mandaram calar a boca! Humor acabou. Momento tenso da corrida.

E´ uma corrida ate’ os 30 km. Depois a história é outra.

Depois de 16 semanas seguindo criteriosamente a planilha do treinador, treinos dados, todos muito bem feitos, me afligia a possibilidade de não conseguir terminar a prova. Como na vida, as vezes a gente se prepara adequadamente, mas algo pode não dar certo. Correr uma maratona e’abraçar o inesperado, um teste físico e mental. 

O quesito hidratação, preocupação séria de toda maratona, não foi problema na Maratona de São Paulo. Tinha água sobrando. A cada 5 km tinha um posto de hidratação. Em dois deles  serviram água de coco. Depois do km 30, deram saquinhos com  pequenas batatas cozidas. No ultimo, pedaços já cortados de laranja.

Por volta de 11 horas a temperatura beirava os 37 graus. As sombras das árvores da região amenizaram um pouco. Num posto de hidratação aprendi uma nova forma de baixar a temperatura do corpo. O cara na minha frente encheu o boné de gelo e colocou na cabeça. Fiz também e a sensação foi de um grande alivio.

No túnel sob a avenida Santo Amaro, altura do km 39,  começou a bater a síndrome da linha de chegada. Nessa hora, qual um autômato, evocando o divino, com sofreguidão,  mal conseguia olhar para os lados a fim de contemplar o publico que aguardava os competidores.  Só tinha olhos para frente, para o incrivelmente distante, assim me parecia, pórtico de chegada, para fazer o tempo passar, e entre evocações divinatórias, ia fazendo dedicações a cada km, ia dedicando à minha esposa, aos filhos, ao meu trabalho, meu jornal. As pernas iam pesando cada vez mais. Os metros finais pareciam intermináveis.

Mas tudo que é bom ou ruim, tem fim. Cruzei a linha de chegada correndo e comemorei com alegria. Terminei sem quebrar. Medalha no peito, conferi o gps:  42,125 km em 4 horas e 28 minutos, com pace médio de 6:22 minutos por km,  e 3.221 calorias queimadas. 

Foi dificil, muito dificil, mas gratificante! Ufa! 

Que venham as próximas maratonas.

 
 
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